abril 09, 2002

Who wants that honey?


Hoje fui procurar a minha famosa foto quando eu tinha três anos onde eu tocava baixo (não era guitarra, tinham 4 cordas e ainda por cima, meus dedos estavam posicionados CERTINHOS, hehe). Eu sabia que estava no meu baú de tranqueiras de papel, onde tem minhas recordações desde a infância até hoje.
Esse baú consiste em uma mala de couro do tamanho de uma frasqueira, uma coisa horrorosa mas quando criança eu devia gostar, porque cabe MUITA coisa.
Comecei a olhar papel por papel, e não foi uma experiência muito agradável.

Achei de tudo o que vcs podem imaginar.

Cartões da família do Paragua, que me lembraram que eu era a única dos três irmãos que não ganhava cartão musical de aniversário. Só ganhei um cartão musical quando fiz 15 anos, eu ficava chateada porque meus irmãos SEMPRE ganhavam um cartão com musiquinha safada.
Bilhetes da época do colegial que eu achei escondido debaixo da mesa de uma menina que me odiava, falando mal de mim.
Brigas com um monte de gente.
Uma carta da minha amiga pedindo pra minha mãe me liberar pra assistir Don Juan de Marco, eu estaria bem num grupo de garotas que não eram arruaceiras. Isso me fez me enxergar BASTANTE porque eu estou sofrendo pra cortar o cordão umbilical da minha mãe (que insiste em me laçar de volta todos os dias). E depois eu ri pra caramba, eu tinha o que, uns 15/ 16 anos?
Isso tudo era o capítulo zero da depressão. Claro, achei várias coisas que eu escrevia durante a depressão, e nossa, é inacreditável o que eu escrevia. Uma tristeza tão grande que deixa a música mais triste dos Smashing Pumpkins no chinelo. Até me lembrei que tinha uma época que eu sentava no computador e escrevia um diário do que eu fazia no dia a dia - desde acordar até dormir, o que eu fiz na faculdade, o que teve na aula, o que eu conversei - porque com tanta medicação, dois dias depois eu não me lembrava o que tinha acontecido na minha vida. Hoje eu não lembro nem o que eu escrevia mesmo, mas eram coisas tristes, falando de dor e rejeição supostamente por *todas* as pessoas que já passaram pela minha vida.
Eu enxergava que todos me odiavam.
Achei desenhos da minha irmã, que sempre me desenhava e fazia piada com o mundo pop, e até isso deu uma saudades tremenda.
Isso tudo trouxe muitos sentimentos à tona, acho que revivi os momentos mais dolorosos da minha vida em duas horas.
Inacreditável mas tem até o papel do Mc Donalds quando a gente ia, depois da aula! Eu guardava de tudo, coisa que hj eu não faço mais.
Nunca me liguei nisso, mas eu tive uma infância / adolescência sofrida mesmo. Estão todos os fatos provados, em papel dos mais variados formatos e letras. A cada vez que eu lia eu xingava, ficava com vontade de procurar nomes na internet, no ICQ pra xingar de volta. Aí eu caía na real e me ligava que era passado.

Depois que a gente ganhar um Oscar, vai ter bastante material pra minha biografia, hehehe!

Até lembrei o que o Billy Corgan falou sobre tocar no SNL uma vez, que eu achava extremamente certo na época da depressão, agora eu achava ridículo até eu voltar atrás hoje: "Todo mundo que me considerou um bosta na época do colégio vai ligar a televisão, depois de um dia de trabalho, cansados pra cacete e eu estarei lá na frente de cada um, mostrando que aquele 'bosta' que eles conheciam está com sucesso e eles ainda vão pagar um pau pra mim".

Sabe que eu não acho isso tão horroroso assim??